terça-feira, 8 de março de 2016

SONETO DA ROTINA

Não queira saber o que se passa aqui, meu bem,
por vezes meu coração desdenha da razão.
Seus olhos são meus, mas apontam para outro alguém,
não me demoro a perder a alma, o sono e a direção.

Seu passado é sombra escura que me acompanha.
No bar, na rua, até quando você está nua,
sinto-me tomado por essa carga estranha.
Fico angustiado desde o sol até a lua.

Manhã, tarde e noite. Meu amanhã é sempre o mesmo,
vencer esses fantasmas, escolhendo-os a esmo.
Armo minha trincheira enquanto beberico,

sempre ao lado do garçom, aliado fiel.
Mas eu não reclamo do combate, querida,
ciúme e cachaça fazem parte da vida. 

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