segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

NOITE DE INSÔNIA

Existe toda uma jornada
para atravessar a madrugada.
são exatamente sete infernos,
que nos levam a três céus, amenos.
O primeiro inferno é curto,
rasga a primeira meia hora depois da meia-noite.
O segundo estala nossos olhos,
nos faz contar seus longos minutos,
que remetem a sentimentos profundos.
O inferno terceiro é um tiro certeiro,
nos consome sem dó nem piedade.
Nesse momento afundamos no mar da sobriedade.
O próximo é o quarto
e no relógio já são três.
E por mais meia hora,
sinto falta da minha embriaguez.
Às três e meia vem o quinto inferno,
ah meu camarada!, esse sim parece eterno!
Amarguras remoídas e um coração despedaçado,
o quinto inferno me deixa arrasado.
O sexto inferno trás a solidão,
nesse ponto as horas perdem seu valor
e tudo o que importa é vomitar no papel o meu rancor.
O galo canta a chegada do último inferno,
e por essa recepção ele parece até envaidecido.
O último inferno parece intolerável,
apenas os últimos goles da garrafa
torna seu problema solucionável.
O sono chega às sete,
junto com o primeiro céu.
juro que queria explicar como é o paraíso,
mas o álcool consumiu o meu juízo.
Por pouco não chego ao segundo,
mas sabe como é camarada,
acabei de encontrar lugar imundo
para descansar esse meu corpo moribundo,
afinal é tarde, logo menos eu vou acordar
pois vem chegando um novo inferno,
para eu enfrentar. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SÓ POR HOJE NÃO QUERO TE VER

e a poesia volta às minhas veias
trás consigo paixões alheias
que invadem minh' alma
e deturpam toda a calma
que percorria meu coração embriagado.
não vejo razões nem sentido
tudo parece tão confuso
nada está do meu agrado
apenas seu sorriso, pequena
largo, mas obtuso.
para mim ou para outros.
fiz de um haikai, poesia
sem delongas ou fantasia.
aqui estão meus sentimentos,
sem razões, nem enfeites.
tudo isso escrito,
para mim é um deleite.
sua consciência nessa poesia.
meus sentimentos nessa poesia.
tudo isso é uma anarquia.
meu sentimento imbecil
cega um amor juvenil.
a tragédia realizou-se em segundos;
segundos perdidos, segundos imundos.