segunda-feira, 24 de junho de 2013

INTENSIDADE

A incerteza invade meu pensar
você já viu a loucura passar?
Invento mil mentiras sem querer
me questiono sobre nosso viver.

Buscar resposta virou rotina
nada mais me fascina
Seus olhos são fuga
dessa terra do nunca.

Será mesmo meu amor?
Viver de novo essa dor?
Inconstância, meu terror.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

MY LITTLE GIRL...

Às vezes anseio pela monotonia. Muitos casais, ficantes ou o caralho à quatro querem desesperadamente fugir da rotina. Boa parte tenta "aumentar a paixão" fazendo loucuras ou aproveitando uma noite sem o parceiro como se ela fosse única. Só por uma noite alguns casais esquecem o que sentem para "viver um pouco" e voltarem renovados às relações ou lances amorosos que estão metidos. Eu não. Queria que isso que nós temos caísse na rotina. Na rotina de sentirmos o mesmo pelo outro. Estar em sintonia e esquecer que existe mundo fora do nosso amor. Essas oscilações sentimentais me matam. Um dia sem você é enlouquecedor, pior ainda é vê-la alheia à minha loucura. Fiz desse amor o meu viver e hoje vejo que ele se tornou o meu "câncer". Que saudades eu sinto de você minha Pequena. Me perco imaginando nos dois, passo horas beijando-a à distância. Já não sei seguir a rotina da minha vida sem amar você. 

domingo, 9 de junho de 2013

NO OLHO DO FURACÃO

Sinto o coração esquentar novamente. Sua volta me devolve a vida. Quero viver esse amor até o limite. Beijar sua boca até o segundo tornar-se anos. Sinto a alma esvair do corpo e viajar ao seu encontro. Tão longe e tão próximos. Me protejo da solidão ouvindo nossa canção. Ter você é voltar à respirar. Recupero a voz nesse filme mudo. Minha Pequena.  

sábado, 1 de junho de 2013

SEGUNDO DIA

"(...) Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de secionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido de vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce. 

Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas coisas criadas.

De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde..."

Trecho de SEPARAÇÃO, VINICIUS DE MORAES