segunda-feira, 27 de junho de 2016

BILHETE

Saiba que repousa em mim
insana repulsa sem fim.
Sou o que sou e não quero saber
das qualidades do meu ser.

Arranho e arranco vísceras:
minhas lembranças míseras,
desgraçadamente vividas
sabiamente vendidas.

A nostalgia rasga a alma
transforma ódio em poesia
e razão em melancolia.

Que essa louca tara de amor
seja o caminho para o fim.
Sim. O meu fim. Assim. Enfim!

domingo, 26 de junho de 2016

ACEITAÇÃO

Não quero nada além do seu prazer.
Embora que seu gozo noutro corpo
é obra fúnebre para o meu ser.
Aceito e trago e tremo e usurpo,

pesadelando noite a dentro
com olhar de bicho surrado.
Seu gemido em meu ouvido é o epicentro
deste terremoto desgraçado.

Um culpado? Talvez o destino
que fez crescer num desatino
sua volúpia, desejos e amores.

Me restam duras limitações
e adiante terríveis visões:
Você. Alguém. Seu prazer. Meu sofrer.