quarta-feira, 2 de agosto de 2017

ACEITAÇÃO

Na outra margem da vida
um poeta sem saída,
à beira do purgatório,
expurga outro verso inglório.

Traz consigo um bom amigo
arquiteto do jazigo-
abrigo. Envolta em fel
a ingratidão rasga o céu.

Feito punhal cruelmente
assassino, jovial.
Desfaz de mim e consente

com egoísmo e razões
liquidamente inflexíveis,
frutos de novas paixões. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

ENTRE MIRAGENS

Que as banalidades mundanas
não cabem num poema, nós
sabemos. Resta descobrir
se a banalidade poética
incorpora a vulgaridade
(des)humana. Prudente e insana.
Desatamos os nós a sós,
em versos que não fazem rir
nem chorar. Poesia hermética,
coirmã desta realidade.