domingo, 20 de dezembro de 2015

SAMBA PARA AS GURIAS

Das mulheres que passaram, todas ainda são amadas,
em meu coração cabem apenas paixões mal-acabadas.
Cada uma com seu jeito, desajeito, sujeito, trejeito.
Todas desapaixonadas por esse poeta desfeito.

Beijos e carícias que me confundem os instintos,
E nessa gafieira de um samba só, meus males são extintos.
Estão convidadas para essa festa cachaça e esperança,
não se atrasem! A tristeza me convida para uma dança.

Nesse caminho de desamores eu sigo apaixonado,
por aquelas que estiveram anos ou segundos ao meu lado.
Pro inferno com essa dor! É Cartola na vitrola, meu senhor!

Não tenho certeza quanto à todo esse amor incondicional,
tantas bocas, tantos gostos, tantos cheiros, tantos desgostos.
Carrego na memória embriagada, todos aqueles rostos.




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O DIA EM QUE PERDI O TESÃO PELO FUTEBOL

No dia em que perdi o tesão pelo futebol a lua escureceu,
estava nua no céu e tão distante que quase me enlouqueceu.
No dia em que perdi o tesão pelo futebol meu coração falhou,
a cerveja ferveu, a garganta secou, a perna tremeu e o cigarro apagou.

Naquele dia desvesti a camisa puída de sol, suor e arquibancada,
guardei a inquietude da derrota num olhar profundo para o nada.
Na rua muda, apenas o som dos lamentos de outros seres sem expressão
E naquele dia em que questionei meu amor ao futebol, foi-se embora o meu tesão.

Me abandonou também o radinho de pilha, velho guerreiro,
calou meus sentimentos aquele aparelhinho fuleiro.
E nessa angústia de ter perdido o tesão pelo futebol,

Despertei assustado com o quarto invadido pela luz do sol,
era apenas um pesadelo às vésperas de um dia de decisão.
Todo aquele imaginário despertou ainda mais o meu tesão.