terça-feira, 28 de abril de 2015

TENHO TEMPO

de tempos em tempos contemplo o tempo passar,
tem tempos, de tempos em tempos, que apenas contemplo,
meu tempo teimoso parar.
agora já sem tanto tempo assim,
não teimo com o tempo
que teima em passar.

domingo, 19 de abril de 2015

***

e se eu te amasse mais, resolveria?
caso eu te odiasse mais, o que seria?
meu dia amanheceu sem a sua luz
Gessinger na vitrola, madrugada fria,
"tudo queimava e nada aquecia".
sua distancia crescia
e eu corria para os braços
de uma solidão amputada
uma solidão tão solitária
que me abraçou sem receio.
no entra e sai da tristeza
tentei morrer... sem muita destreza
fui apenas um corpo à mercê.
afogado na secura de uma paixão sem razão.
perdi-me sem rumo nem coração...
sem coração pois ele foi em sua mão.
faltou ânimo, faltou amor
e o que me sobrou foi um filme retrô;
um velho longa em preto e branco:
um bêbado, um poeta
uma praça e um banco.
esgotei o vazio de minha alma
pondo no papel palavras de calma
sem medir palavras ou rimas,
basicamente, um texto selvagem
sem métrica, nem figura de linguagem.
a crueldade da minha poesia
fez-me vítima da caneta,
ah maldita caneta!
detalhou-me seu rosto, seu seio, sua boceta.
aos poucos esqueci o inesquecível
tudo graças ao álcool, meu combustível.
perdia versos no ar,
enquanto afogava seu rosto no bar.
de tempos em tempos seu fantasma voltava,
tão claro que escurecia minhas vistas,
correndo lentamente,
enlouquecendo-me na velocidade em que a sua boca passeava.
telespectador de minha morta vida
cresceram em mim barba, cabelo e barriga
e já nem sei como concluir essa poesia
perdi o fim lendo o começo
e o "eu te amo" finamente espesso
compõe a minha mente
francamente,
indiferente.

terça-feira, 14 de abril de 2015

LUTO PELO VERSO

é ruim ver a morte de um verso.
ela começa tão sorrateiramente,
que parece até o inverso.
infelizmente a concepção não vem fácil
e o que ocorre mesmo é o triste fim do meu verso.
a imaginação narra até certo ponto
e quando tudo está quase pronto:
Bum! Morre o verso!
A caneta pesa,
a cabeça me nega.
O pensamento não sai
e mesmo que se esprema na cachola
tudo o que escrevo no papel é somente esmola.
É a morte lenta do verso.
Nesse momento perde-se a noção do tempo.
O corpo dói e o poeta se remói.
O verso é abortado na sua metade.
Não teve tempo, o pobre coitado.
Sepulto meu verso rasgando o papel,
e escrevo sorrindo
um poema acerca,
do verso finado.