domingo, 14 de fevereiro de 2016

SONETO IRRACIONAL

O passado é comichão que me desfaz a calma
é vício que afunda a mente em pequenas dores.
Caminho cego por suas figuras de horrores,
sinto prazer ao vê-lo desfigurar minha alma.

Essa ânsia de amar causa mágoa, raiva e desamor
e engrandecer o que passou é parte do processo.
Desassossegar o coração é um lúdico excesso,
pesa no peito a razão embriagada de rancor.

Agora já não importa a ausência e a distância,
neste velho coração pulsa o amargo veneno,
pai das inseguranças dos homens, tão sereno.

Sou vítima fácil desse ciúme insensato,
me perdoe Amor, mas seu passado é fardo ingrato.
Findo esse lamento: louco. Raivoso. Sincero. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

SONETO DAS LEMBRANÇAS

O nosso tempo se desfez sem culpa, minha amiga
foi tempestade momentânea de amor e sexo
deixou saudades e uma lição: paixão não se mendiga.
Todo pedaço de vidro na rua possui o seu reflexo.

e o velho coração afoga-se nessas loucas rimas
e a cabeça teimosa quer apenas poesia
enquanto uns poetinhas lutam por obras primas,
desejo findar a goteira da melancolia.

Quero beber dessa cachaça imunda, amarga e doente,
como faz um bêbado de sentimento permanente.
Esse vício de tragar a fumaça da saudade,

não apresenta qualquer sintoma há muitos anos.
Talvez algumas ressacas e uns versos sem compromisso,
prazerosamente causados por esse seu feitiço.