domingo, 7 de junho de 2015

SEGUNDA DO MÊS

Um indesejável impulso insano
aparece pulsante em meus pulsos.
Serenamente um segredo surreal
alcança seus abraços avulsos.

Desesperado, o destino derrama
a nossa sombra sobre a minha sombra.
vultos vulgares vindos do nada,
beijam a boca obscena de minha amada.

Miseravelmente, morro de morte
ligeiramente lenta enquanto a letra
leve e lasciva lima a nossa linda
história. vou-me embora. vou agora.  

sábado, 6 de junho de 2015

SONETO PRIMEIRO

Entre o céu e o inferno, o beijo e a solidão, nós
minha surdez é pouca para a sua voz.
A sós com o calor das velhas velas,
a não-morte traz pequenas sequelas.

Com pouco álcool e muita solidão
o meu amor não é nada para a sua razão.
Minha subjetividade, Pequena
me protege dessa sua boca obscena.

Vê-la nadando em novos velhos mares,
e ancorando seu corpo noutro cais:
Tudo isso levou-me às mesas dos bares.

Entre goles e desmaios busquei a paz,
meu gozo e razão foram pelos ares
na suavidade desse amor voraz.