Lewis Hamilton venceu o GP de Silverstone de 2021. Uma semana após a derrota inglesa para os italianos, na final da Eurocopa, com Wembley lotado, o piloto inglês reduziu a diferença para o holandês Max Verstappen e incendiou a briga pelo Mundial de Pilotos - além de ajudar a Mercedes na luta pelo Mundial de Construtores. A vitória de Hamilton, logo após a derrota inglesa para a Seleção Italiana poderia ser uma coincidência, coisa do acaso, mas é muito mais simbólica do que parece. É sabido que após o jogo passado, ataques racistas foram destilados contra os jogadores Marcus Rashford, Bukayo Saka e Jadon Sancho - que perderam seus pênaltis na disputa final - em mais um registro abjeto na história inglesa e que, provavelmente, cairiam no esquecimento em breve, não houvesse um Hamilton no meio do caminho. Lewis Hamilton, negro, inglês e esportista, assim como Rashford, Saka e Sancho.
Hamilton reescreve a história da Formula 1 há mais de uma década, mas o seu legado deve ser expandido ao campo social e a sua apresentação na manhã de hoje, em Silverstone, foi mais um soco na boca dos estômagos racistas. O piloto partiu da segunda posição e logo nos primeiros metros da prova colocou o carro à frente de Verstappen, líder do Mundial. Por duas vezes, Lewis foi bloqueado pelo piloto da Red Bull. Na terceira, porém, o toque entre ambos aconteceu e o holandês foi para a caixa de brita, abandonando a prova. Corrida paralisada, Hamilton com pequenas avarias em seu Mercedes e tendo o ferrarista Charles Leclerc à sua frente. Ferrari. Itália versus Inglaterra. A memória de Wembley é inevitável.
A caçada de Hamilton ao jovem monegasco foi dificultada pelos dez segundos de punição impostos pela direção de prova, mas ele, negro e inglês, mostrou porque é o maior recordista e o maior piloto da história da categoria. Hamilton impôs um ritmo alucinante após a série de paradas nos boxes; ultrapassou o seu conterrâneo Lando Norris, depois o seu companheiro Valtteri Bottas e, a duas voltas do final, deixou a Ferrari para trás, conquistando a sua oitava vitória em casa. Hamilton marcou o gol que os jogadores ingleses não marcaram na última semana. Hamilton "defendeu o chute" que os ingleses não souberam defender. Foi cerebral como o técnico inglês, Gareth Southgate, não soube ser na decisão europeia. Foi aguerrido como o capitão Harry Kane e cia. não foram. Hamilton, finalmente, venceu, diferente de seus conterrâneos e, provavelmente, a contragosto dos racistas ingleses - e dos demais racistas.
