segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

TALVEZ

"Após meses eles se encontram novamente. Ele, de calça jeans e camisa polo, cabelo baixo e sem barba. Ela com um short que mostra as coxas que as mãos dele conhecem como se fossem suas, uma blusa que realça os seios que ele tanto aprecia. O cabelo solto e o chinelinho com as alças cor de rosa a deixaram linda de uma forma tão simples que por alguns segundos ele ficou paralisado. 
 - Você tá linda – ele diz, beijando-a no rosto em seguida. 
A tristeza e o amor em seus olhos verdes contrastam com a tranquilidade que ela aparenta. Ambos não falam nada, os olhares se cruzam por um instante e rapidamente se perdem quando ela muda de direção iniciando a conversa: 
- Tô indo embora essa semana pra começar a faculdade. 
 Ele balança a cabeça positivamente com um falso e rápido sorriso no rosto. 
 - Já faz tempo que a gente não se vê – ela diz. Como você tá? 
- Bem – ele diz. Curtiu o carnaval? - completa. 
- Sim, tava ótimo. E você? 
- Não. 
No fundo ele imaginava o motivo do carnaval ter sido tão bom. Bebidas e outra boca pra beijar, que rapidamente seria substituída por outra e outra e outra e outra. Sentindo o coração acelerar, ele dispara:
- Podia ter mandado mensagem. Fiquei esperando e você esqueceu de mim. Senti sua falta pequena. Ainda tá brava por aquelas mensagens do começo do ano? Já pedi desculpas. 
- Não te esqueci, só não tive vontade de falar com você. 
A cabeça baixa dele mostra que aquilo foi quase igual a uma bofetada. Uma tristeza ainda maior toma conta do garoto, que já sente o coração sair pela boca. 
 - Olha, não quero ser covarde como fui em janeiro. Com você longe e pouco se importando em falar comigo... Pensei muito e... Sei lá... Acho... Acho que tá na hora da gente parar com isso... 
Sentindo uma profunda dor no peito e uma ardência nos olhos, ele continua. 
- Ainda te amo muito, mas não vou conseguir ver fotos de você cercada por outros caras e tenho certeza que assim como no carnaval, você não vai deixar de beijar esses caras... Por mais que tenha me prometido... Não consigo aceitar isso pequena... Por isso quero te esquecer... Tirar você da minha vida é melhor coisa que eu faço... Ainda mais porque eu vou ter um ano puxado e... É isso... Desculpa, mas não dá mais. 
A garota têm os olhos vermelhos, com lágrimas no canto. Parece lembrar-se dos bons momentos que passou com ele. Parece sentir raiva. Parece querer implorar para ele ficar. Não o faz. Ele sente que a perdeu. Que agora ela não será mais seu futuro como ele havia planejado. Abaixa a cabeça e deixa a lágrima escorrer. Balançando suave e negativamente a cabeça ela diz: 
- Você que sabe... 
 Ele sabia que não sabe. Só queria ser feliz. Seria com ela? Daquele jeito? Distante. Sentiu o coração parar subitamente, por dois segundos ficou sem ar. Voltou a si e não cansava de admirar aquele lindo rosto à sua frente. Sabia que aquela boca não seria mais sua. Os planos de ambos foram minados pelo destino. Quis falar. Sentiu a garganta seca. Quis chorar, preferiu esperar. Ela o encarou e a palavra dita rasgou o peito dele feito navalha. 
- Tchau. 
Ela se foi. Sem ter o que fazer, ele também se foi. Triste por perder aquele amor de tanto tempo. Sua mente voava e cruzava o horizonte da loucura. Pairava sobre a irracionalidade, mas estacionou no sentimento de liberdade. Livre. Para viver. Para amar. Pensou em acender um cigarro, como sempre não tinha. Outra vez pensou em chorar, mas ironicamente, já sem lágrimas, decidiu olhar pra trás. Ela dobrava a esquina, rumo ao seu destino. Ele sorriu, mandou um beijo em pensamento, talvez ela tenha recebido, pois ao mesmo tempo deu de costas e encontrou seu amor. O sentimento do primeiro beijo invadiu os dois. Foram segundos únicos. Então ela desceu a rua, ele continuou seu caminho e ambos nunca mais se falaram."
Eu não sei se vai acabar assim. Há tempos não conversamos. Talvez acabe no silêncio. Eu sei que vai acabar. 

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